já disseste à tua mãe que a amas?

Já disseste à tua mãe que a amavas? Sim, dizer literalmente “eu amo-te, mãe”. Já disseste? Dir-me-ás, porventura “não disse, mas não é preciso, ela sabe que eu a amo e eu sei que ela me ama, porque embora não o digamos, nós demonstramo-lo muitas vezes”. Ora, dizer não é, de todo, tão importante quanto mostrar através de gestos e ações, mas isso não significa que é dispensável ou que uma coisa substitui a outra.

Expressar o que se sente por palavras serve sim para complementar os gestos e reforçá-los. E vice-versa. Não é por não lhe dizeres que a amas que alguém vai pôr em causa o amor que tens por ela, mas também não se diz que se ama alguém para se provar o que quer que seja. Diz-se que se ama alguém porque a outra pessoa merece ouvir. Com certeza que já a criticaste por alguma coisa que fez menos bem. Porquê? Porque ele mereceu, porventura. Com certeza que já a elogiaste por algo que ela fez bem. Porquê? Porque ela mereceu. Porventura. Então porque é que não lhe dizes que a amas, já que ela merece ouvi-lo também?

Vou falar-te um pouco do meu caso. Eu levei 27 anos para dizer à minha mãe que a amava. Dizer. Frente a frente. Olhos nos olhos. Nunca lhe tinha dito isso em toda a minha vida e não me sentiria bem enquanto não o fizesse porque eu sabia que me faltava alguma coisa. Muito embora me tentasse convencer de que “ela sabe que eu a amo. Já lhe demonstrei isso muitas vezes. Não é preciso dizer-lhe olhos nos olhos.” Até que um dia ganhei coragem (parece até ridículo precisar de coragem para dizer que amamos a nossa própria mãe, não é?) e quando me preparava para entrar no carro para ir embora, voltei para trás e, na soleira da porta de onde aguardava a minha partida, disse-lhe que a amava. E certifiquei-me que ela tinha ouvido e percebido bem o que eu lhe tinha dito. Por fim dei-lhe um beijo, um abraço e depois então fui à minha vida. E sabes o que representou aquele momento para mim? Um alívio. Eu podia até nunca mais o dizer e podia até cair o mundo depois disso, mas eu saberia que um dia lhe tinha dito o que ela merecia ouvir e pelo menos isso já não me pesaria mais na consciência.

O mesmo se aplica ao perdão. Se nunca deves adiar um “amo-te”, também nunca deves adiar um “perdoo-te”. Muito menos a uma mãe. Não existe uma mãe que queira mal a um filho (eu disse mãe, não progenitora), e estou certo de que a tua fez o melhor que podia por ti. Nem sempre o fez na melhor forma, ninguém o consegue, mas foi sem dúvida com as melhores intenções. Não a culpes, não a acuses e perdoa-a. Quanto mais não seja porque compreendes que, naquela altura, ela não sabia mais. Ela não podia mais. Ela fez o melhor que podia com o melhor que sabia. Não é assim com todos nós? Se todos soubéssemos e pudéssemos mais ninguém faria menos. Estamos aqui no mundo para aprender e evoluir e acredita que o maior desafio de um ser humano é educar outro. E um dia quando fores pai ou mãe, se já não fores, vais compreender e aceitar melhor cada erro dos teus.