Pedido de Natal dos avós

Há tanto tempo que não vens cá, João. Os teus avós têm muitas saudades tuas. O teu pequenino vai fazer dois anos e nós ainda nem o conhecemos. Porque não passas cá este Natal? Era o melhor presente que nos davas. Traz o teu filho e a tua mulher e passa em casa dos teus avós como fazias em pequeno quando vinhas da escola. Não precisas de trazer presentes. Não queremos nada. Traz apenas um abraço quente que do resto a gente trata.

Já sabes que a nossa cozinha é antiga e entra algum frio, mas graças a Deus não nos falta lenha para a aquecer e vocês os três estarão confortáveis. A avó estava a pensar fazer aquele tronco de Natal com nozes que tu gostavas tanto, mas queria que o provasses. Não será a mesma coisa se não o provares.

Vens cá este Natal, João? Sabemos que é longe e que tens a tua vida, mas era uma grande alegria para nós. O avô anda um pouco adoentado. O médico diz que ele tem andado a portar-se mal e eu também estou sempre a chamá-lo à atenção, mas ele não me ouve. Tu é que o podias alertar. Ele sempre gostou muito de ti. Podia ser que te desse ouvidos e mudasse. Se continuar assim não sei quantos Natais mais ele vai festejar.

Arranja um tempinho e passa cá, João. Não tem de ser muito. Pelo menos o suficiente para te darmos um abraço e conhecermos o nosso bisneto. A tua mãe disse-nos que estavas a pensar comprar uma casa para o ano que vem e se assim for queremos dar-te os parabéns por mais este passo na tua vida. Quero também dizer-te que se precisares de flores para o jardim ou para dentro de casa fala comigo. Tenho aqui muitas rosas, orquídeas e hortênsias, é só pedires.

Parece que ainda foi ontem que andavas aqui no terraço a brincar com o filho do vizinho de baixo. Lembras-te? Do André? Casou no ano passado. Vocês já estão uns homens e nós nem nos apercebemos. Há tanto tempo que não vens cá, João. Acho que este Natal seria a desculpa ideal. Nós até íamos aí, mas sabes que só o teu avô é que conduz e já não se dá com viagens longas. Só mesmo aqui pela vila. O carro também parece que está mais velho que nós e não sei se aguentaria.

Passa cá quando puderes. Se não for no Natal, depois. Quando tiveres tempo. Quando passares aqui perto. Aproveitas e levas umas batatas e umas cebolas. Tivemos muitas este ano e não as vamos comer todas. E a ti dá-te jeito, senão tens de as ir comprar e não vale a pena. Sabes que os teus avós gostam muito de ti e pensamos muito em ti. Dá-nos este presente e aparece. Temos sempre um lugar na mesa à tua espera, por isso não nos apanharás desprevenidos.

Um beijo da tua avó Helena e do teu avô Manuel.

Um texto de Raul Minh’alma