o “ter de ser” não faz tudo sozinho

Desperdiçamos muito tempo da nossa vida a sermos mais ou menos felizes porque sabemos que para sermos plenamente felizes temos de passar por fases de profunda infelicidade.

É como se andássemos em círculos de meia-felicidade, de felicidade-assim-assim e não conseguimos sair dali porque para sair desse circulo teríamos de passar por uma coluna de fogo. E sabemos que nos vamos queimar. E sabemos que nos vai doer e custar. Então deixamo-nos estar a andar à roda na esperança inútil que venha uma chuvada que apague as chamas e nos deixe finalmente passar pela porta de saída.

No fundo é isto que nos acontece: na incapacidade de tomarmos uma decisão que nos vai custar, mas que sabemos que é a melhor para nós, entregamos à vida a responsabilidade de decidir por nós e de fazer por nós o que a nós competia.

O “ter de ser” não faz tudo sozinho. O destino não trabalha sozinho. Ele precisa de decisões para agir. E essas decisões só tu as podes tomar.

Um texto de Raul Minh’alma

Imagem de João Pedro Vergara